Insônia
As casas dormem
No silencio da madrugada
Posso sentir o pulsar da vida no seu interior
A rua deserta, meio morta, me fascina
As luzes amareladas vão clareando
Por entre as frondosas quaresmeiras
Formando no asfalto pobre da “Irmãos Terrugem”
Figuras monstruosas que se arrastam pelo chão
Fantasiando minha mente.
As casas dormem
Ao longe um cachorro late
Desencadeando uma sinfonia canina quase eterna
São milhares deles entoando um chamado coletivo
Um apelo único entre os ecos da noite.
A madrugada avança
Os galos cantam a serenata do amanhecer
Uma coruja pia forte na mangueira
Sinto arrepios, temores de mau presságio.
As casas despertam
Lentamente vai surgindo uma claridade
Preguiçosa nas cozinhas adormecidas
O sol acorda com o cheiro forte do café
Almoço preparado, marmita na sacola.
A buzina insistente do caminhão
Alerta para a rotina do canavial
Um garoto remelento espreguiça no portão
Esperando que o leiteiro traga também o pão.
As casas despertam
Explodindo numa cantoria matinal
No rádio o locutor anuncia mais uma melodia
Enquanto repete incansavelmente a hora certa
“Levanta Maria! É hora de começar o seu dia”.
Um papagaio canta parabéns
Sem saber para quem.
A vila desperta
Fecho lentamente os meus olhos
Tentando recuperar o sono
De mais uma noite sem dormir
Não antes de invocar Drummond
“Eta vida besta, meu Deus!”
domingo, 28 de março de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010
Ruínas
Quase nada restou do branco caiado
Nas fortes paredes do velho sobrado
Nas rachaduras expostas:
(feridas do tempo)
Crescem avencas e teias de aranhas
Brotam suspiros, vermelhos e azuis
Os musgos avançam rumo ao telhado.
Subindo as paredes do antigo sobrado
O vento reclama através das janelas
Gemidos se libertam das pedras frias
No assoalho solto, ouvem-se os passos
Da dança ritmada com melodia
Dos risos alegres, dos beijos ardentes
Da vida que há tempos, ali existia.
Quase nada restou do sótão esquecido
Prisão dos meus medos e fantasias
Ainda hoje, vejo em sua janela
Uma moça tristonha, chamada Maria.
Quase nada restou do velho sobrado
Povoado agora, por mistérios sem fim
Por criaturas estranhas vindas da noite
Voando... Voando em volta de mim.
Quase nada restou do branco caiado
Nas fortes paredes do velho sobrado
Nas rachaduras expostas:
(feridas do tempo)
Crescem avencas e teias de aranhas
Brotam suspiros, vermelhos e azuis
Os musgos avançam rumo ao telhado.
Subindo as paredes do antigo sobrado
O vento reclama através das janelas
Gemidos se libertam das pedras frias
No assoalho solto, ouvem-se os passos
Da dança ritmada com melodia
Dos risos alegres, dos beijos ardentes
Da vida que há tempos, ali existia.
Quase nada restou do sótão esquecido
Prisão dos meus medos e fantasias
Ainda hoje, vejo em sua janela
Uma moça tristonha, chamada Maria.
Quase nada restou do velho sobrado
Povoado agora, por mistérios sem fim
Por criaturas estranhas vindas da noite
Voando... Voando em volta de mim.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Ramalhete de Mim
Eu margarida
Plantada em canteiro alheio
Desestimando a guerra e pedido paz
Para as rosas vermelhas, azuis e amarelas.
Eu violeta
Alegre, feiticeira
Ávida pela luz do sol
Vegetando num pobre vaso de plástico.
Eu bromélia
Suspensa no ar, agarrando vida
No vento e na chuva
Encharcada de lágrimas, sem chão, sem calor.
Eu onze-horas
Florzinha à toa, insignificante
Que nasce em qualquer lugar
Sempre com hora marcada para desabrochar.
Eu bem-me-quer
Cheia de vida, cheia de amor
Querendo proteger, juntar o que é meu
Num abraço, no colo, no alcance do olhar.
Eu azaléia
Colorida, faceira
Enfeitando jardins, perfumando o ar
Retirando energia de um sorriso vulgar.
Eu orquídea
Sofisticada, elegante
Planta nobre, esnobe, vestido cetim
Deixando que levem a vida de mim.
Eu perpétua
Desbotada, agrupada, sem graça
Trajando uma vestimenta lilás como mortalha
E agarrada a dezenas de outras iguais
Tentando ser eterna. Pobre de mim.
Eu margarida
Plantada em canteiro alheio
Desestimando a guerra e pedido paz
Para as rosas vermelhas, azuis e amarelas.
Eu violeta
Alegre, feiticeira
Ávida pela luz do sol
Vegetando num pobre vaso de plástico.
Eu bromélia
Suspensa no ar, agarrando vida
No vento e na chuva
Encharcada de lágrimas, sem chão, sem calor.
Eu onze-horas
Florzinha à toa, insignificante
Que nasce em qualquer lugar
Sempre com hora marcada para desabrochar.
Eu bem-me-quer
Cheia de vida, cheia de amor
Querendo proteger, juntar o que é meu
Num abraço, no colo, no alcance do olhar.
Eu azaléia
Colorida, faceira
Enfeitando jardins, perfumando o ar
Retirando energia de um sorriso vulgar.
Eu orquídea
Sofisticada, elegante
Planta nobre, esnobe, vestido cetim
Deixando que levem a vida de mim.
Eu perpétua
Desbotada, agrupada, sem graça
Trajando uma vestimenta lilás como mortalha
E agarrada a dezenas de outras iguais
Tentando ser eterna. Pobre de mim.
Assinar:
Postagens (Atom)